26.08.08

Série francesa Predadores traz narrativa ágil de mistério

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa do segundo volume da série francesa, que tem quatro volumes ao todo

 

 

 

 

 

 

 

Há uma vantagem na leitura do quadrinho europeu. Ao contrário das produções japonesas e norte-americanas, informações sobre trabalhos do velho continente não costumam rondar pelas páginas virtuais.

Essa relativa falta de informações é um privilégio para quem aprecia desfrutar uma história e desvendá-la aos poucos, saboreando cada novo elemento. Apesar de ser algo raro no mundo virtual de hoje.

A série francesa "Predadores" consegue ser uma dessas exceções. Cabe ao leitor desvendar a narrativa ágil de um mistério que se desenrola desde o número de estréia.

                                                             ***

A primeira parte -ou tomo, como se chama na França- foi lançada no Brasil no fim de julho. A seqüência começou a ser vendida neste mês (Devir, 64 págs., R$ 29).

A série não enrola. Mostra uma sucessão rápida de acontecimentos página após página.

Quando o leitor se dá conta, o álbum terminou. Com um gancho, claro, para o volume seguinte.

 

                                                             

Há um mistério que inicia logo nas primeiras páginas da história, lançada na França entre 1998 e 2003.

Vítimas aparecem mortas. Sem sangue e com um alfinete enfiado atrás de uma das orelhas.

A sensual tenente Vicky Lenore e o detetive Benito Spiaggi são os policiais responsáveis pela apuração do caso. Na investigação, descobrem uma surpresa após a outra.

                                                              ***

Os dois policiais ficam sabendo que as vítimas têm em comum um sisto atrás da orelha.

Não demora para saberem que o chefe deles e o amante de Lenore também possuem o elemento fatal.

As vítimas são assassinadas por uma dupla de irmãos, Camilla e Drago. São eles os "Preadores" do título. Resta apurar por que matam. E quem eles são exatamente.

 

                                                           

No segundo volume, que começou a ser vendido neste mês, o leitor tem parte das respostas.

Os crimes estão relacionados a uma vingança sobre um evento ocorrido séculos atrás.

Outra revelação é que os seres com sisto são vampiros. Ou algo próximo disso, porque o nome da "raça" deles não é verbalizado na série.

                                                              ***

Os autores - o belga Jean Dufaux e o suíço naturalizado italiano Enrico Marini- têm grande parte do mérito de "Predadores".

Conduzem uma narrativa cinematográfica, tanto nos textos como no ritmo dos desenhos. E com a vantagem de o leitor poder descobri-la página após página. Prazer raro hoje em dia.

A série tem mais duas partes. Também serão lançadas no Brasil pela Devir.

Escrito por PAULO RAMOS às 15h17
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22.08.08

Encadernado reúne primeiras histórias de Surpreendentes X-Men

 

 

 

 

 

 

 

 

Álbum lançado neste mês reúne primeiras 12 aventuras do grupo, escritas por Joss Whedon e desenhadas por John Cassaday

 

 

 

 

 

 

 

Os leitores mais saudosos dos X-Men creditam à dupla Chris Claremont e John Byrne as melhores histórias do grupo de mutantes da editora norte-americana Marvel Comics.

Outra dupla, o escritor Joss Whedon e o desenhista John Cassaday, conseguiu a façanha de ouvir tantos elogios quanto Claremont e Byrne.

 Sinal disso foram as vitórias conquistadas em prêmios de quadrinhos, como o Eisner Awards, o principal dos Estados Unidos.

As primeiras 12 histórias de Whedon e Cassaday foram reunidas num álbum, que começou a ser vendido neste mês (Panini, 324 págs., R$ 38).

                                                             ***

Esse primeiro arco de aventuras dos Surpreendentes X-Men foi publicado nos Estados Unidos entre julho de 2004 e agosto do ano seguinte.

No Brasil, foi lançado mensalmente na revista "X-Men Extra", também da Panini.

A primeira aventura saiu na edição 46, de outubro de 2005.

                                                              ***

Whedon -conhecido por ser o criador da série de TV "Buffy, a Caça-Vampiros"- simplificou o roteiro das histórias dos X-Men, reduzindo as longas amarrações que existiam até então.

Com isso, conseguiu atrair quem raramente liam as aventuras do grupo.

O leitor mais novo vai encontrar um grupo enxuto, que vive um momento de reinício.

A partir daí, é só ação e surpresas, estas para fazer jus ao rótulo de "supreendentes" dado à sua versão do grupo.

                                                              ***

Um das surpresas -que já não é mais novidade- foi a volta de Colossus. O herói de metal tinha morrido anos antes.

A presença dele ajuda a dar um verniz semelhante às aventuras feitas por Byrne e Claremont, publicadas no fim da década de 1970 e início da seguinte.

É outra estratégia certeira usada por Whedon.

Por mais que dialogue bem com novos leitores, ele não ignora o saudosismo dos antigos. E recria cenas que mexem diretamente com a memória de quem acompanha X-Men há anos.

                                                              ***

Lançar esse primeiro arco na forma encadernada é uma forma de a editora Panini levar a série a um novo leitor, o que freqüenta as livrarias ou que desistiu de acompanhar as revistas mensais.

O "volume 1", apresentado na capa, dá a entender que o segundo arco feito por Whedon e Cassaday também será reunido futuramente em álbum.

As últimas histórias da dupla são publicadas atualmente na revista "X-Men Extra".

                                                              ***

O brasileiro Marlon Tenório fez uma brincadeira com os X-Men. Pôs os personagens no conto de fadas de Chapeuzinho Vermemlho. Leia mais na postagem abaixo.

Escrito por PAULO RAMOS às 10h46
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19.08.08

Garoto Verme traz incômoda história de horror

 

 

 

 

 

 

 

 

Mangá é escrito e desenhado por Hideshi Hino, um dos especialistas em obras de horror

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um dos papéis de uma boa história de horror é incomodar o leitor. E isso o mangá "O Garoto Verme" faz.

A obra -lançada na Bienal Internacional do Livro de São Paulo (Zarabatana, 208 págs., R$ 27)- narra o sofrimento do protagonista, o menino Sanpei Hinomoto.

Ele pode ser rotulado como um sofredor. É rejeitado pelos colegas de escolas e incompreendido pela família. Encontra conforto apenas num esconderijo, onde cria animais.

                                                              ***

O sofrimento psicológico e social de Hinomoto -que já seria motivo de incômodo por parte de quem lê o mangá- é acentuado com a transformação do menino.

Picado por um estranho verme, ele passa a sofrer uma lenta mutação. De ser humano, ganha a forma do bicho que o vitimou.

Para realçar ainda mais o horror, a transformação é mostrada paulatinamente.

O garoto se transfigura, perde os membros, começa a decompor, vira uma casca, que depois renasce na forma de um verme.

                                                              ***

Durante o calvário, o menino se torna um estorvo para a família, composta pelos pais e por dois irmãos.

Há nesse ponto um claro diálogo com o surrealismo de "Metamorfose", obra do tcheco Franz Kafka (1883-1924).

O livro faz uma crítica à estrutura familiar. Gregor Samsa se metamorfoseia num inseto repugnante. Na nova forma, sem ser útil aos seus, torna-se um problema e é ignorado.

                                                             ***

Há muito de Kafka no mangá escrito por Hideshi Hino, autor chinês criado no Japão.

Mas com uma diferença: ao contrário de Gregor Samsa, Sanpei Hinomoto foge de casa em busca de nova perspectiva de vida.

É a forma que encontrou para contornar a exclusão, com todas as conseqüências que essa atitude vai acarretar. Uma delas é a repugnância que causa em todos, inclusive em seus animais de estimação.

                                                             ***

"O Garoto Verme" é a segunda obra de Hideshi Hino lançada pela Zarabatana.

No ano passado, a editora paulista publicou "A Serpente Vermelha", que também tinha como protagonista um garoto e abordava o tema do horror no convívio familiar (mais aqui).

O autor se destacou na área de quadrinhos pelos trabalhos feitos com horror e é tido como um dos pais do gênero no Japão.

O incômodo criado na vida do garoto vertido em verme justifica a fama que tem.

Escrito por PAULO RAMOS às 14h24
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12.08.08

Turma da Mônica fica mais velha e muda de gênero na versão mangá

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa do número de estréia da revista, que mostra os personagens de Mauricio de Sousa na fase adolescente

 

 

 

 

 

 

Há um incortonável estranhamento na leitura do primeiro número de "Turma da Mônica Jovem", que já é vendido em lojas de quadrinhos paulistanas (Panini, 132 págs. R$ 5,90).

Demora um pouco para assimilar as duas principais mudanças da obra.

A primeira e mais evidente é aceitar que os personagens cresceram e estão na adolescência.

A segunda é constatar que o novo projeto dos Estúdios Mauricio de Sousa faz uma radical mudança de gênero. Sai o quadrinho infantil, entra o mangá.

                                                             ***

Na prática, há apenas um verniz de mangá neste primeiro número.

A revista, por exemplo, é lida da esquerda para a direita, e não o contrário como ocorre nos quadrinhos japoneses.

O estilo oriental de produzir histórias gráficas é usado em cenas-chave mais expressivas, ora sobre humor, ora sobre pontos cruciais da narrativa.

Nessas situações, há as tradicionais linhas cinéticas de fundo e as caras e bocas cartunizadas dos personagens representados.

No mais, os desenhos se assemelham às produções tradicionais dos demais quadrinhos da Turma da Mônica, só que com uma temática oriental e mais voltada à ação.

                                                             ***

Mas há, do formato à proposta, uma clara intenção de amadurecer os personagens, de modo a atingir outros públicos, em que se destaca o dos leitores de mangás.

Os mais jovens ficam com as histórias tradicionais, que continuam a ser publicadas mensalmente. Os demais, como essa nova versão.

"A turma agora vive em dois universos", escreve Mauricio de Sousa, num texto explicativo presente neste primeiro número.

"Naturalmente se avolumam comentários pro sim e pro não. Mas vale a pena experimentar uma sensação nova, até mesmo perigosa, mas inédita e desafiadora nesta nova série."

                                                             ***

Os comentários "pro sim e pro não", como registra o empresário e desenhista, são o nó da série e o que pode ditar o futuro dela nas bancas.

Quem superar o estranhamento inicial vai encontrar a história de um grupo de adolescentes que é convocado a salvar o mundo de Yuka, uma rainha do mal.

Os que ainda resistirem ao novo formato tendem a ver nos jovens os mesmos personagens que permaneceram crianças por décadas.

E vai resistir a aceitar um Cebolinha -agora Cebola- que troca o "r" pelo "l" apenas quando está nervoso. Um Cascão que toma banho. Uma Magali que controla a dieta.

Um Anjinho que, agora, usa o nome de Céuboy e se parece com o Anjo dos X-Men.

Um Louco que é professor. Um Capitão Feio que quer ser chamado de Poeira Negra.

                                                            ***

Antes mesmo da estréia, sem que a obra sequer fosse lida, já se viam comentários igualmente contrários e favoráveis à publicação.

O ideal -embora nem sempre ocorra no meio virtual- é que a revista seja lida para, aí sim, ser criticada ou elogiada com mais propriedade e conhecimento de causa.

Mas é fato que a aceitação vai depender muito do quanto o leitor vai estranhar o amadurecimento dos personagens.

Se aceitar a alteração, pode vir a gostar da série produzida em outro gênero.

Do contrário, vai ser muito difícil, tal qual um pai que resiste em ver os filhos amadurecerem e buscarem outros caminhos.

                                                            ***

A Editora Panini divulgou uma edição zero da revista no mês passado.

A obra apresentava as mudanças dos personagens principais.

Leia mais aqui.

Escrito por PAULO RAMOS às 13h56
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10.08.08

Relançada no Brasil obra mais polêmica de Tintim

 

 

 

 

 

 

 

 

"Tintim no Congo" mostra visão estereotipada do país africano e foi refeita pelo autor, o belga Hergé

 

 

 

 

 

 

 

Até aqui, tudo bem. Faz pouco mais de duas semanas que "Tintim no Congo" começou a ser vendido nas grandes livrarias e, nesse tempo, não houve protestos, confusões, nem notícias alarmantes na grande mídia.

O álbum mais polêmico do personagem do belga Hergé (1907-1983) conseguiu uma façanha: passar quase despercebido no país.

É uma situação bem diferente do que ocorreu no Reino Unido, em julho do ano passado.

                                                             ***

A Comissão para Igualdade Racial do Reino Unido pediu às livrarias britânicas que deixassem de vender a obra.

A entidade entendia que o álbum tinha conteúdo racista e mostrava os congolenses de maneira idiotizada e com traços semelhantes a macacos.

"O único lugar aceitável para mostrar o livro é um museu, com uma grande placa dizento ´material ultrapassado, totalmente racista", disse a comissão na época, em depoimento reproduzido pelo jornal "Folha de S.Paulo".

                                                             ***

Duas das principais livrarias do Reino Unido atenderam parcialmente o pedido. Tiraram a obra da seção infantil. Mas não deixaram de vender o álbum de Hergé.

O argumento das livrarias é que caberia ao leitor a decisão da compra.

Resultado da polêmica: uma semana depois, a editora Egmond, que publica Tintim na Inglaterra, registrava aumento de 4.000% nas vendas do título (leia mais aqui e aqui).

                                                             ***

A obra foi relançada no Brasil pela Companhia das Letras (62 págs., R$ 36). A editora paulista tem reeditado as histórias de Tintim desde o fim de 2004.

Esta edição, no entanto, procura antecipar eventuais críticas. Traz uma nota contextualizando o conteúdo da obra ao leitor.

"Neste retrato do Congo Belga, hoje República Democrática do Congo, o jovem Hergé reproduz as atitudes colonialistas da época", diz a nota.

"Ele próprio admitiu que pintou o o povo africano de acordo com os estereótipos burgueses e paternalistas daquele tempo -uma interpretação que muitos leitores de hoje podem achar ofensiva. O mesmo se pode dizer do tratamento que dá à caçada de animais."

                                                             ***

A tal "caçada de animais" é referência às mortes provocadas por Tintim. Nas páginas do álbum, ele atira em jacarés, elefantes, veados e num macaco.

"Tintim no Congo" mostra a viagem do jovem repórter ao país africano. Lá, é recebido com honras e é reconhecido por todo canto onde vá.

Na tradução brasileira, feita por Eduardo Brandão, é tratado pelos congolenses como "Nhozinho".

                                                             ***

A história foi publicada em 1930 no suplemento infantil do jornal "Le Vintième Siècle". Nos anos e décadas seguintes, a história foi reunida na forma de álbum.

Essa primeira versão acentuava ainda mais o tom colonialista que os belgas tinham do país na época, contexto essencial para que a trama seja entendida.

Hergé fez duas revisões da obra, uma em 1946 e outra em 1970.

As mudanças reduziram parte do tom paternalista. Abaixo, um exemplo, extraído na cena em que Tintim ensina alunos congolenses:

 

 

 

 

 

 

Quadrinho da versão original, de 1930, e da nova versão da obra 

 

 

 

 

 

"Meus queridos amigos, eu vou falar hoje da pátria de vocês: a Bélgica", diz o repórter no primeiro quadrinho, que aparecia na versão original da obra.

Refeito e colorizado, teve o diálogo mudado para uma conta de dois mais dois.

A versão que a Companhia das Letras lança agora no Brasil é a revisada por Hergé.

                                                              ***

A última vez que a história tinha sido publicada no Brasil tinha sido em 1970, pela Record. A editora optou por traduzir o título por "Tintim na África". Essa edição está esgotada.

A viagem do personagem ao Congo tem de ser vista dentro do contexto, algo que os não leitores habituais de quadrinhos costumam se esquecer ao mencionar a obra.

Nesses casos, não deixa de ser curioso que o grande mal seja o álbum em quadrinhos, e não as produções do cinema norte-americano das décadas de 1930 e seguintes, que tinham visão semelhante à da obra de Tintim.

Crédito: a imagem das duas versões da obra foi fornecida pelo especialista em quadrinhos Waldomiro Vergueiro, a quem este jornalista agradece a colaboração.

Escrito por PAULO RAMOS às 23h07
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09.08.08

Chega ao fim arco de Super-Homem co-escrito por Richard Donner

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Diretor de cinema -que dividiu o roteiro com o escritor Geoff Johns- construiu uma das principais histórias do herói

 

 

 

 

 

 

 

Os brasileiros tivemos uma vantagem em relação aos leitores norte-americanos.

Enquanto estes esperaram meses para saber o desfecho do arco de histórias de Super-Homem co-escrito pelo diretor de cinema Richard Donner, nós tivemos o costumeiro aguardo de um mês, intervalo de lançamento entre uma revista e outra.

O fim da série "O Último Filho" foi lançada nesta semana na revista do super-herói (Panini, 116 págs., R$ 8).

                                                             ***

O arco teve início no Brasil na edição 64 de "Superman", lançada em março (mais aqui).

Naquele momento, dois aspectos chamavam a atenção para a série de histórias.

O primeiro era a partcipação de Donner, que voltava a trabalhar com o personagem da editora norte-americana DC Comics.

Donner havia dirigido o primeiro filme do homem de aço, estrelado por Christopher Reeve (1952-2004) e exibido há 30 anos.

                                                             ***

O segundo aspecto é que a série de histórias -publicada nos Estados Unidos na revista "Action Comics"- mesclava elementos das versões cinematográfica e televisiva do herói.

Há influências claras do seriado "Smallville" (principalmente no vilão Lex Luthor), dos dois primeiros longas com Reeve e da nova versão, "Superman - O Retorno", de 2006.

Não é por acaso que o primeiro capítulo de "O Último Filho" foi lançado em 2006.

Também não é coincidência o fato de Clark Kent ser desenhado de forma muito parecida com o ator Brandon Routh, atual dono do papel de Super-Homem no cinema. A arte é de Adam Kubert.

                                                             ***

A herança mais explícita do último longa do herói, no entanto, é a presenca do garoto Christopher Kent.

O menino kryptoniano, que tem poderes semelhantes aos do herói, chega à Terra e é adotado por Clark Kent e Lois Lane. No longa de 2006, Lois tem um filho, fruto de relacionamento com o homem de aço.

A presença da criança na vida do casal e a libertação de criminosos de Krypton presos na Zona Fantasma são os pontos-chave da trama.

Liderados pelo General Zod -visto no segundo filme do herói-, o bando de super-vilões invade a Terra e domina o planeta.

                                                             ***

Apesar da mescla de diferentes versões do super-herói, o desfecho da trama consegue superar esses obstáculos editoriais e traz uma das melhores histórias de Super-Homem.

É bem possível que as qualidades da condução da narrativa sejam muito mais mérito de Geoff Jonhs do que de Richard Donner.

Johns escreveu o arco com o diretor. E é atualmente um dos principais roteiristas da DC.

Neste mês, ganhou pela terceira vez seguida o prêmio "Wizard Fan Awards", votação feita por leitores norte-americanos (mais aqui).

                                                             ***

Esses leitores estadunidenses leram o fim do arco "O Último Filho" no mês passado, quando foi lançado numa edição anual "Action Comics", com mais páginas.

A Panini tem o mérito de trabalhar rápido na preparação dos originais e conseguir incluir o desfecho na edição deste mês de "Superman".

É daquelas histórias marcantes na vida do personagem. E têm qualidades suficientes para ser relançada futuramente na forma de álbum encadernado, a ser vendido em livrarias.

Escrito por PAULO RAMOS às 12h37
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Nova edição da Graffiti marca estréia de Liniers no Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa da revista mineira, que tem festa de lançamento neste sábado em Belo Horizonte

 

 

 

 

 

 

 

Quando criaram a "Graffiti 76% Quadrinhos", os editores da revista independente mineira tinham como parâmetro uma publicação européia, produzida nos mesmos moldes.

A obra, que chega agora à 17ª edição e tem festa de lançamento hoje, tomou rumo próprio.

O formato de mesclar histórias curtas produzidas por diferentes escritores e desenhistas nacionais -prioritariamente- e estrangeiros encontrou seu caminho e se firmou no mercado alternativo de quadrinhos brasileiro.

                                                             ***

Mas a trilha percorrida pelo grupo de Belo Horizonte cruza por um trecho com paisagens muito semelhantes à de outra publicação bem-sucedida, a argentina "Fierro".

A revista é a principal referência do quadrinho do país vizinho. É vendida uma vez por mês junto com o jornal "Página 12".

Depois, é possível encontrar a obra em algumas bancas -conhecidas como "quioscos"- da região central de Buenos Aires.

O toque portenho fica ainda mais evidente nesta nova edição. Parte da obra é dedicada à Argentina e à sua capital.

                                                             ***

Buenos Aires é tema de uma das histórias, feita por Eloar Guazzelli, antigo colaborador da revista.

Também é dele um artigo sobre a história do quadrinho argentino, ainda pouco conhecido por terras brasileiras.

A sensação de estar lendo uma "Fierro" -que tem formato idêntico, inclusive com lateral grampeada- ganha força logo na contracapa. 

Ela marca a tardia estréia no Brasil das tiras cômicas feitas por Liniers, autor que também colabora com a revista argentina.

 

 

A tira acima é da edição deste sábado, publicada no jornal portenho "La Nacion".

Liniers é dono de um estilo próprio e invoador. Cria situações surreais em sua série "Macanudo". Já lançou cinco coletâneas com suas criações.

A primeira delas vai ser lançada no Brasil pela editora Zarabatana (mais aqui).

A "Graffitti" traz também um encarte colorido, que traz mais duas histórias curtas dele. E uma biografia do autor no final da obra.

                                                             ***

A revista traz também, como de costume, histórias produzidas por autores nacionais.

Como a de Marcelo D´Salete, que abre esta 17ª edição.

Curiosamente, o autor teve uma coletânea de quadrinhos seus, "Noite Luz", lançada recentemente na Argentina por uma editora independente de lá.

A editora Via Lettera, de São Paulo, divulgou nesta semana que vai publicar a obra no Brasil (mais aqui).

Por mais nacional que seja, a leitura deste número tem um gosto dos tradicionais cortados argentinos, tomados calmamente num dos cafés portenhos.

                                                             ***

A "Graffitti 76% Quadrinhos" já teve um primeiro lançamento em São Paulo na semana de entrega do Troféu HQMix, no mês passado (mais aqui).

A festa deste sábado à noite é um segundo lançamento, feito na cidade onde foi produzida, Belo Horizonte.

Vai ser hoje à noite, no Recanto da Seresta (praça Duque de Caixas, 120, Santa Tereza).    

O ingresso custa R$ 12 e dá direito a uma edição da revista.       

Escrito por PAULO RAMOS às 11h52
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06.08.08

Álbum de Zé do Caixão estreita diálogo entre HQ e cinema

 

 

 

 

 

 

 

 

Obra em quadrinhos antecipa eventos do terceiro filme do personagem, que estréia sexta-feira

 

 

 

 

 

 

 

 

Não será à meia-noite e Zé do Caixão não levará a sua alma.

Mas ele quer levar o seu dinheiro na compra do álbum "Protuário 666 - Os Anos de Cárcere de Zé do Caixão" (Conrad, 120 págs., R$ 24).

A obra tem lançamento nesta quarta-feira à noite, em São Paulo, num horário menos macabro, a partir das 19h.

O trabalho em quadrinhos serve para estreitar o diálogo -que já é bastante próximo- entre as histórias em quadrinhos e o cinema.

                                                             ***

Não se trata aqui de uma versão quadrinizada de longa-metragem ou de uma adaptação de quadrinhos feita para o cinema. Nada disso.

"Prontuário 666" serve de ponte entre o que ocorreu no segundo filme de Zé do Caixão -"Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver", de 1967- e a nova parte da trilogia.

Na produção anterior, o personagem macabro, que procura gerar um filho perfeito, era dado como morto. A obra em quadrinhos revela -ou antecipa- onde ele estava nesse intervalo.

                                                            ***

Zé do Caixão -forma como é conhecido Josefel Zanatas- está preso na Casa de Detenção de São Paulo.

O relato da obra tem início em 1988. Zé do Caixão aproveita o mundo carcerário para fazer experiências científicas com os presos de lá.

Reformulando: experiências científicas mortais e sanguinolentas com os presos de lá, bem ao estilo da série cinematrográfica.                                                         

O tom violento das seqüências macabras casa bem com o estilo de desenho do gaúcho Samuel Casal, que divide a autoria da obra com a roteirista Adriana Brunstein.

                                                             ***

"Prontuário 666" não é o primeiro passeio do personagem de José Mojica Marins nos quadrinhos.

O primeiro foi com a revista "O Estranho Mundo de Zé do Caixão", publicada em 1969.

Houve também outras versões. Uma delas infantil: "A Estranha Turma do Zé do Caixão", lançada em 1999 pela editora Brainstore.

                                                             ***

O personagem é o mesmo em todas as versões. Mas há uma diferença essencial entre este álbum da Conrad e as passagens anteriores de Zé do Caixão pelos quadrinhos.

Desta vez, a história dialoga com o filme. E dele bebe a publicidade midiática -não foram poucas as matérias sobre o longa- e a boa repercussão das premiações.

"A Encarnação do Demônio", dirigido por Marins, venceu sete das 15 categorias do Festival Paulínia de Cinema, realizado no mês passado.

E vai participar da mostra do Festival de Veneza, na Itália.

                                                             ***

O já sonoro ruído sobre o terceiro longa-metragem ecoa também no álbum em quadrinhos.

E não é fruto da "ciência" do personagem de capa preta.

É resultado de estratégia editorial e de marketing (o álbum, não custa registrar, é lançado dois dias antes do filme). É como no dito popular: uma mão lava a outra.

                                                             ***

Serviço - Lançamento de "Prontuário 666 - Os Anos de Cárcere de Zé do Caixão". Quando: hoje (06.08). Horário: a partir das 19h (vai haver debate com os autores e com José Mojica Marins). Onde: Espaço Unibanco de Cinema. Endereço: rua Augusta, 1.475, São Paulo. Quanto: o álbum custa R$ 24). 

Escrito por PAULO RAMOS às 15h13
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29.07.08

"Menina Infinito" mostra relatos de amizade com pitadas de cultura pop

 

 

"Menina Infinito", de Fábio Lyra, inicia com uma história curta, de seis páginas. É um convite ao leitor para que conheça a protagonista do álbum. É ela quem se apresenta ao leitor.

Logo de cara, faz um esclarecimento: "Meu nome não é Menina Infinito. Me chamo Mônica. Menina Infinito é só o nome de minhas histórias".

O leitor vai descobrindo, quadrinho após quadrinho, que ela gosta de cinema, de ler livros pela metade e, principalmente, de música.

E já prepara quem lê para as referências à chamada cultura pop que vão pautar as três histórias curtas do álbum, que começou a ser vendido neste mês (Desiderata,  120 págs., R$ 39,90).

Desse jeito meio como não quer nada, autor e personagem fisgam a atenção do leitor. Quando este percebe, já entrou no mundo de Mônica e das amizades dela.

                                                             ***

A amizade e as dificuldades nos relacionamentos são os principais temas das três histórias seguintes do álbum, que funcionam como microcontos da juventude contemporânea.

O foco metonímico é Mônica. Tudo e todos circundam seu universo particular. Dos dois melhores amigos, Pedro e Malu, aos envolvimentos amorosos dela e deles.

É como se sofre aberta uma grande janela e nos fosse permitido ficar parados, apenas observando as vidas dos personagens e como um se apóia no outro para superar os obstáculos.

                                                            ***

A série Menino Infinito surgiu na extinta revista independente carioca "Mosh!".

Um dos responsáveis pela publicação, premiada mais de uma vez, era Sandro Lobo, que também editou este álbum da Desiderata (ele recentemente se desligou da editora).

A obra, inédita, funciona como se fosse uma extensão da parceria entre ele e Lyra.

A passagem pela "Mosh!" marcou de outra forma a carreira do quadrinista.

Ajudou a dar destaque a Lyra em âmbito nacional.

No ano passado, ele foi escolhido desenhista revelação no Troféu HQMix, principal premiação da área de quadrinhos no país.

                                                             ***

Podem-se fazer associações entre o álbum com esta ou aquela obra em quadrinhos, a maioria de outros países. Pode-se, é verdade. Mas não tira a originalidade do álbum nem o mérito de seu autor.

"Menina Infinito" fala de dois temas universais: amizade e relacionamentos.

E, em meio a isso, pontua referências cavalares à cultura pop, principalmente do meio musical.

São histórias simples. Mas bem narradas e envolventes.

Merecia um segundo número, lançado pela Desiderata ou por outra editora.

Escrito por PAULO RAMOS às 23h02
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18.07.08

Filme é de Batman. Mas é o Coringa de Ledger quem rouba a cena

 

 

 

Há um fato difícil de ser contornado antes de assistir a "Batman - O Cavaleiro das Trevas", segundo longa-metragem da nova safra de filmes do homem-morcego.

Trata-se da morte prematura do ator Heath Ledger, intérprete do vilão Coringa.

Ledger foi encontrado morto num apartamento em Nova York em 22 de janeiro deste ano. Causa: uso abusivo e acidental de medicamentos. Estava com 28 anos.

A produção milionária -custou 180 milhões de dólares- ganhou um involuntário e mórbido interesse: ver a última atuação de Ledger.

E, de forma póstuma, o ator australiano não decepciona.

O Coringa criado por ele é o grande destaque do longa, que estreou nesta sexta-feira.

E por méritos próprios, não por um apelo sentimental causado por sua morte.

                                                             ***

A atuação do ator australiano é uma das versões mais assustadoras do palhaço do crime, como também é conhecido o vilão.

Ele conserva os traços de humor, imprevisibilidade e loucura, como sua persona dos quadrinhos, mas com um grau de violência acima da média.

Essa combinação, difícil de ser conjugada, torna-se o foco do telespectador nos 158 minutos de projeção do filme.

O fio narrativo é conduzido pelo herói, Batman, como deveria mesmo ser.

Mas a expectativa da platéia é pela próxima aparição do Coringa.

                                                            ***

Esta seqüência da revitalização da franquia -o primeiro longa é de 2005, também dirigido por Christopher Nolan- está vinculada aos movimentos de bastidor do crime organizado da fictícia cidade de Gotham City.

Um triunvirato formado por Batman (Christian Bale retorna ao papel), Gordon (na fase pré-comissário, como ficou conhecido) e o promotor público Harvey Dent se une para combater a máfia municipal.

A presença do Coringa desestabiliza a atuação tanto dos criminosos quanto do trio.

E influencia na transformação de Dent no vilão Duas-Caras (interpretado por Aaron Eckhart, bem no papel).

Com o surgimento dele, o filme ganha um novo fôlego, com novas situações e mais ação.

                                                            

 

A história do longa-metragem foi inspirada na minissérie "O Longo Dia das Bruxas", já lançada no Brasil pela Editora Abril em oito edições quinzenais, entre outubro de 1998 e fevereiro do ano seguinte.

A minissérie -escrita por Jeph Loeb e desenhada por Tim Sale- também mostra a união entre Batman, Gordon e Dent e o combate dos três ao crime organizado.

Mas continha uma trama de mistério, ignorada no filme. Era a dúvida em saber quem era o assassino serial Feriado, que matava vítimas ligadas à máfia nos feriados norte-americanos.

A trama nos quadrinhos se passa no intervalo de um ano, de um Dia das Bruxas a outro.

Nesse período, Batman enfrenta uma série de vilões de Gotham, também deixados de lado no longa.

À exceção de Duas-Caras, do Espantalho -numa rápida aparição no começo- e do Coringa, este em doses bem menores e com bem menos importância que no filme.

                                                             ***

A editora Panini estrategicamente relança nesta semana a minissérie, numa edição de luxo, em capa dura (R$ 95, 404 págs.).

A história em quadrinhos ainda é melhor que o filme.

Mas isso não significa que o longa -que bem fique claro- seja ruim. Pelo contrário. Agrada e supera o anterior, muito pautado na origem do herói.

E tem a derradeira atuação de Heath Ledger. 

Depois de sua encarnação do Coringa, não será lembrado apenas como o caubói gay de "Broke Back Mountain", papel que rendeu a ele indicação ao Oscar.

Teria uma carreira promissora.

                                                            ***

Quem pretende ver "Batman - O Cavaleiro das Trevas", prepare-se para enfrentar fila.

Na sessão das 18h desta sexta-feira, já havia sala cheia num shopping de São Paulo.

Na saída, por volta de 20h45, uma fila enorme.

Nos Estados Unidos, parece ocorrer o mesmo. Segundo noticia o UOL, a pré-estréia lá bateu recorde. Arrecadou 18,5 milhões de dólares antes da estréia oficial.

O recorde anterior era do terceiro Guerra nas Estrelas, com 16,9 milhões de dólares.

Escrito por PAULO RAMOS às 23h26
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15.07.08

Cicca Dum-Dum: mistura eficiente de erotismo e bom-humor

 

 

 

 

 

 

 

 

Álbum, escrito pelo argentino Carlos Trillo e desenhado pelo espanhol Jordi Bernet, começa a ser vendido nesta semana

 

 

 

 

 

 

 

É difícil dar uma rotulação a "Cicca Dum-Dum- Desafiando Al Capone", álbum que começa a ser vendido nesta semana (Zarabatana, 68 págs., R$ 30).

Numa primeira passada de olhos, inclusive na protagonista, trata-se de uma obra erótica.

O fato de a editora ter incluído a publicação na "Coleção Mondo Fetish" ajuda a corroborar essa leitura.

A coleção da Zarabatana já tem dois outros álbuns eróticos: "Chiara Rosenberg" e "Clara da Noite" (leia mais aqui e aqui).

Mas a leitura das páginas dá outra impressão. Há, sim, erotismo explícito. Mas dosado com muito bom-humor. É esse lado cômico, na verdade, o grande destaque da obra.

                                                             ***

Cicca Dum-Dum era estrela de um clube noturno de Chicago, mesma cidade do poderoso gângster Al Capone (1897-1947).

Ela se envolve com um fotógrafo, que rouba muito dinheiro de Capone para dar uma vida luxuosa à amada. Jurados de morte, fogem para Nova York. Detalhe: sem o dinheiro. 

Na nova cidade, tentam refazer o caixa casando Cicca com um capanga de lá, que a vê como uma moça pura e virginal.

O que ela não sabe é que o apaixonado bandido é ligado a Capone.

                                                            ***

A confusão é divertida e, em meio a ela, são pautadas as situações mais inusitadas para Cicca mostrar seus "dotes" (e ela não tem o menor pudor disso).

Uma das cenas mais engraçadas é observar Zózimo, capanga do gângster que quer casar com a protagonista. Toda vez que tenta fazer sexo é interrompido bruscamente pelo chefe.

O resultado híbrido -e eficiente- de erotismo e comicidade é mérito do escritor argentino Carlos Trillo, um dos mais talentosos do país vizinho.

É algo já feito por ele, embora com tramas mais curtas, em "Clara da Noite".

Outro ponto que aproxima os dois álbuns é a presença do desenhista espanhol Jordi Bernet, que fez a arte das duas obras.

                                                            ***

A Zarabatana programa lançar o segundo álbum da voluptuosa personagem: "Cicca Dum-Dum 2: Belo e Querido México". A editora não tem ainda uma data de publicação.

Ao todo, Cicca Dum-Dum protagonizou cinco obras.

Se mantiverem a mesma qualidade de texto deste volume de estréia, também serão bem-vindas em território brasileiro.

Escrito por PAULO RAMOS às 23h13
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03.07.08

Groo comemora aniversário de criação com discurso politizado

 

 

 

 

 

 

 

 

Edição especial marca jubileu de prata do atrapalhado personagem criado por Sergio Aragonés

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quem acompanha de longa data as histórias de Groo, o Errante, sabe de antemão que uma das marcas do personagem é ser desastrado. Outra é a pura falta de inteligência.

As duas características levam naturalmente ao humor, outra marca das histórias do guerreiro, uma versão atrapalhada e caricata de Conan, o Bárbaro.

Apesar de tudo isso, o álbum que comemora o jubileu de prata do personagem traz nas entrelinhas um inesperado e atual discurso político.

                                                             ***

"Groo - 25 Anos de Desastres" (Mythos, 164 págs., R$ 34,90), que começou a ser vendido na virada do mês, traz histórias de duas obras inéditas no Brasil.

A primeira é de "Groo 25th Aniversary  Special", de agosto de 2007, ano em que o personagem efetivamente comemorou 25 anos de criação (a primeira aventura é de 1982).

Groo visita uma aldeia em que há uma epidemia de gripe. Os médicos indicam remédios paleativos aos pacientes. O atrapalhado herói vai em busca de uma cura e a encontra.

O problema é que o remédio, feita a partir de frutas silvestres, é dado apenas para quem tem mais posses. Os pobres continuam com a doença.

A crítica que fica nas entrelinhas é que há tratamento diferenciado no sistema médico dos Estados Unidos, onde a história foi produzida. Mas a cutucada vale para o Brasil também.

                                                             ***

A segunda aventura do álbum especial é de uma minissérie, "Groo: Hell on Earth". As quatro partes da aventura foram publicadas entre outubro de 2007 e abril deste ano.

Desta vez, a crítica é bem mais explícita. Ecologicamente explícita.

Um reino chamado Uslip -uma paródia dos Estados Unidos- é conhecido por construir armas em larga escala.  A produção gera poluentes, lançados na atmosfera e em países vizinhos.

A fumaça é o estopim de uma série de mal-entendidos -ajudados pela presença sempre desastrosa de Groo- que geram uma guerra entre os diferentes reinos.

Afinal, como é dito no álbum, nada como uma boa guerra para camuflar os reais problemas de uma nação (leia-se Guerra do Iraque).

Paralelamente ao conflito, tem início um movimento de buscar soluções por meio de uma conferência global, em que todas os reinos assinariam um protocolo (como o de Kyoto).

                                                             ***

É curioso observar as metáforas produzidas pelo desenhista Sergio Aragonés, criador do personagem, e Mark Evanier, fiel parceiro de Aragonés e escritor das histórias.

Mas elas estão presentes, mais ou menos evidentes, conforme o momento da trama.

Mas não escondem a real estrela, Groo, e suas tradicionais atrapalhadas em busca de novas pelejas.

                                                             ***

Os brasileiros conheceram o personagem há 19 anos. Ele estreou um especial da editora Abril em 1989. A história foi lançada na coleção "Graphic Novel".

Um ano depois, ganhou revista própria, publicada mensalmente. Teve 27 números. O último foi lançado em julho de 1992.

Após o cancelamento, Groo iniciou uma peregrinação editorial, tal qual ocorreu nos EUA. Passou pela extinta Pandora, migrou para Opera Graphica e aportou agora na Mythos.

Foi a Opera Graphica a editora que tinha publicado o último álbum do personagem no Brasil, "Groo Odisséia", lançado em junho do ano passado (leia mais aqui).

Escrito por PAULO RAMOS às 19h58
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30.06.08

Livros de bolso trazem tiras de personagens da Turma da Mônica

Em cada editora por onde passou (leia-se Abril e Globo), Mauricio de Sousa lançou livros de bolso com coletâneas de tiras de seus personagens.

O empresário e desenhista seguiu essa tradição na Panini, editora que publica a Turma da Mônica desde janeiro do ano passado.

A nova encarnação da coleção "As Melhores Tiras" traz cinco livros, todos produzidos em formato de bolso (ou "pocket", como se chama no mercado).

Mônica, Cebolinha, Chico Bento, Bidu e Penadinho protagonizam as obras (132 págs., R$ 9,90 cada uma).

Os livros começam a ser vendidos nesta semana.

Mas já podem ser encontradas em lojas especializadas em quadrinhos de São Paulo.

Há dois pontos de vista que devem ser destacados nessa nova safra de coletâneas: um é o mercadológico e outro, o conteúdo.

É sempre bem-vinda uma coletânea de tiras dos Estúdios Mauricio de Sousa.

Ele e sua equipe têm o mérito de criar uma das mais duradouras tiras nacionais.

No ano que vem, as criações de Mauricio de Sousa completam jubileu de ouro.

A primeira tira, de Bidu, é de 1959.

Foi publicada na "Folha da Manhã", hoje "Folha de S.Paulo".

Além do mérito histórico, que já justificaria uma coletânea, há que se reconhecer a qualidade das tiras, melhores que as produzidas atualmente.

Elas obedecem à estrutura clássica da tira: personagens fixos e uma piada no final.

Simples, diretas, bem-feitas.

As de Bidu, em especial, trabalham muito bem o elemento metalingüístico.

Os livros de bolso não dizem a data de publicação das tiras, o que seguramente enriqueceria o teor histórico das obras.

Há apenas uma pequena frase no canto esquerdo de cada uma das capas, registrando que se trata de "histórias clássicas publicadas em jornais".

A leitura mostra que não se trata das primeiras tiras, produzidas na primeira metade dos anos 1960.

O traço dos personagens é mais moderno.

Mas também não são as mais recentes. 

Chico Bento é um bom exemplo.

O personagem não fala de modo caipira, como ocorre hoje em suas tiras e histórias em quadrinhos (e alvo de críticas de professores mal-informados).

A fala dele, nas tiras do livro, é mais próxima da variante culta da língua.

No máximo, lêem-se termos como "carça", "que bão" ou "´fessora".

Mas todos devidamente marcados com aspas ou negritos.

O lado mercadológico das cinco obras é elas sugerem ser uma resposta à linha de "pockets" da L&PM.

A editora gaúcha também tem publicado coletâneas de tiras nacionais.

A Panini publica as obras no mesmo formato.

A leitura das tiras -duas por página e lidas de baixo para cima, com o livro virado- também é idêntica à das publicações da L&PM.

A multinacional Panini tem dado sinais claros de que quer disputar mercado em todas as frentes de venda de quadrinhos.

Já domina as bancas, com linhas infantis, de super-heróis e mangás.

Passou a investir em livrarias no começo ano passado.

Faltava o flanco dos "pockets", ainda dominados pela L&PM. Não falta mais.

Restam apenas as áreas de livros sobre quadrinhos e de produção de álbuns nacionais.

Escrito por PAULO RAMOS às 14h08
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25.06.08

Local mostra histórias no interior dos Estados Unidos

 

 

 

 

 

 

 

 

Álbum começou a ser vendido neste mês e traz os seis primeiros capítulos da série

 

 

 

 

 

 

 

Quando se pensa num país, a tendência é que se ponham luzes nas principais cidades.

O escritor norte-americano Brian Wood ajusta a mira do holofote narrativo em outro ponto.

Ou melhor: outros pontos.

Ele ilumina as pequenas cidades dos Estados Unidos. E as histórias locais que elas podem proporcionar. Não é por acaso que chamou a série de "Local".

As primeiras seis histórias foram reunidas num álbum, "Local - Ponto de Partida", lançado este mês no Brasil (Devir, 200 págs., R$ 32).

                                                            ***

A série mostra a migração da jovem Megan McKeenan (mostrada na capa do álbum) por seis cidades dos Estados Unidos. 

O motivo da peregrinação é um problema de relacionamento, mostrado na primeira história, ambientada em Portland. Mochila nas costas, ela ruma a Minneapolis, sua segunda parada.

Encerra este primeiro álbum em Park Slope.

Em cada uma das paradas, enfrenta as dificuldades de uma nova vida. E tem um desses momentos relatados em cada uma das histórias. 

Megan funciona como uma espécie de guia turístico do leitor, o ponto focal dele na narrativa.

                                                            ***

Os dramas fictícios vividos por ela variam muito.

Há desde situações mais leves e românticas a momentos tensos, como quando é feita refém durante uma discussão entre dois irmãos (uma das melhores do álbum).

São relatos simples, uns mais interessantes, outros menos.

Mas todos narrativamente bem conduzidos por Brian Wood, mais conhecido do leitor brasileiro por ser o escritor da série "DMZ, publicada na revista "Pixel Magazine".

                                                             ***

O primeiro relato sobre Megan, em especial, traz uma curiosidade para quem aprecia o uso inovador da linguagem dos quadrinhos.

Para marcar um momento de tensão da protagonista, o desenhista Ryan Kelly dá um close em seu rosto num quadrinho.

No quadro seguinte, elimina todo o cenário de fundo, mantendo apenas a face de Megan, com a mesma expressão e posição.

Há uma explicação para isso. Mas cabe à história revelar a quem a lê.

                                                            ***

"Local", que teve mais seis histórias publicadas nos Estados Unidos, é potencialmente mais interessante ao leitor norte-americano do que ao brasileiro.

A descoberta do interior estadunidense dialoga melhor com vive no país.

Para nós, seria mais empático acompanhar uma peregrinação do Oiapoque, no Amapá, ao Chuí, no Rio Grande do Sul.

Mas isso não compromete a leitura, nem tira o mérito do roteiro de Brian Wood.

É um autor que começa a ter mais trabalhos publicados no Brasil. E a ser descoberto.

Como ocorre com as cidades do interior estadunidense que ele retrata em "Local". 

Escrito por PAULO RAMOS às 22h35
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23.06.08

O Cabeleira faz roteiro de cinema na forma de quadrinhos

 

 

 

 

 

 

 

Álbum nacional inspirado no romance de Franklin Távora foi lançado neste mês pela editora Desiderata

 

 

 

 

 

 

O fim do ano passado sinalizava para um maior investimento editorial em álbuns nacionais. Parte deles de adaptações literárias. Outra parcela em histórias inéditas.

"O Cabeleira", lançado neste mês (Desiderata, 136 págs., R$ 39,90) fica na fronteira entre essas duas tendências.

Não é só uma adaptação literária.

É um exercício de roteiro de cinema na forma de quadrinhos.

A história surgiu em razão de um laboratório de roteiro, promovido pelo Sesc.

Leandro Assis e Hiroshi Maeda inscreveram uma primeira versão de "O Cabeleira".

Publicitário e engenheiro, respectivamente, os dois tinham em comum o interesse pelo cinema.

O roteiro foi sabatinado e remoldado. O resultado final não foi filmado. Foi vertido para a linguagem dos quadrinhos, no álbum lançado pela Desiderata.

 

 

A versão de Leandro Assis e Hiroshi Maeda mostra a trajetória do personagem central em dois momentos, na fase adulta e na infância dele (como mostrado no desenho acima).

A base do roteiro foi o romance de Franklin Távora (19842-1888).

O escritor cearense foi o primeiro a relatar em letras as histórias orais do Cabeleira, uma espécie de Lampião que percorreu Pernambuco no século 18. O livro é de 1876.

É do primeiro capítulo da obra o dito "Fecha a porta, gente / O Cabeleira aí vem / Matando mulheres / Meninos também". 

José Gomes, nome do Cabeleira, fez fama por roubar e assustar os moradores da região. Nem igrejas e crianças poupava.

Nos saques e matanças, era acompanhado pelo pai, Joaquim Gomes, de quem herdou o tino pelo estilo de vida violento.

 

 

A "câmera" de Assis e Maeda foi o traço do carioca Allan Alex.

A escolha dele foi um dos acertos da editora Desiderata, que propôs o projeto aos dois.

O desenho de Alex soube captar os enquadramentos e, principalmente, os cortes cinematográficos da proposta original. E sem perder a necessária expressividade da obra.

Em vários momentos, cria-se a sensação de leitura de um storyboard, que serve de base para muitas filmagens cinematográficas.

É como se fosse um longa-metragem moldado em quadrinhos.

 

 

"O Cabeleira" é o segundo álbum nacional com histórias longas lançado pela Desiderata.

O primeiro -"A Boa Sorte de Solano Dominguez"- foi publicado em novembro do ano passado (mais aqui). O roteiro de Wander Antunes também se diferenciava nesse projeto.

Os dois trabalhos seguem a proposta da editora carioca de produzir álbuns nacionais.

Há pelo menos outros três em produção: "Mesmo Delivery", de Rafael Grampa, "Menina Infinito", de Fabio Lyra, e "Copacabana", de Odyr e de Sandro Lobo, editor de quadrinhos da Desiderata (leia mais aqui).

                                                           ***

Ver obras bem produzidas como "O Cabeleira" leva ao questionamento, ainda sem uma resposta definitiva, de por que as editoras brasileiras não investiram antes nesse filão.

Já há exemplos concretos de que desponta um grupo de roteiristas e desenhistas capaz de criar boas histórias, uma das críticas que existiam até então.

Faltou coragem?

Então, que se reconheça, de público, a meritória coragem editorial da Desiderata e de poucas outras -entre elas a HQM- que têm investido e desbravado essa área.

                                                           ***

Nota: A obra de Franklin Távora está em domínio público e pode ser lida na internet (aqui). 

Escrito por PAULO RAMOS às 21h54
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17.06.08

Relançada luta do Homem de Ferro contra o alcoolismo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Álbum, que já está à venda, mostra a fase em que o herói tem de superar dependência à bebida

 

 

 

 

 

 

 

A recente repercussão do Homem de Ferro no cinema pode ofuscar a trajetória do personagem nos quadrinhos. 

Justiça seja feita, o herói metálico não tem tantas histórias memoráveis quanto muitos de seus colegas de aventura.

Curiosamente, uma das sagas mais lembradas -meritoriamente- foge do padrão convencional das histórias do gênero.

O vilão são as garrafas de bebida alcoólica.

A luta do empresário Tony Stark, alter-ego do herói, é para superar a dependência.

É essa seqüência de histórias que começou a ser vendida neste mês ("Os Maiores Clássicos do Homem de Ferro", Panini, 172 págs., R$ 22,90).

                                                            ***

A bebida camufla uma série de fracasssos vividos ao mesmo tempo pelo empresário.

O controle acionário de sua firma corre o risco de escapar de suas mãos.

Vive um clima de idas e vindas com Beth, envolvimento sentimental dele na época (as histórias são de 1979 e saíram por aqui na década seguinte, na extinta revista "Heróis da TV", da editora Abril).

Para piorar, perde parte do controle sua armadura, o que o leva a demonstrar diferentes fragilidades nas brigas contra os vilões tradicionais (os de uniforme e com superpoderes).

                                                            ***

A trama sobre o (des)controle da armadura é interessante.

Mas é outro (des)controle, o da bebida, o âmago desta fase do herói, escrita por Bob Layton e David Michelinie e que tem a maior parte desenhada por John Romita Jr.

Romita Jr. -filho de John Romita, um dos veteranos dos quadrinhos norte-americanos- estava em início de carreira na editora Marvel Comics.

Hoje, mudou o estilo do traço e é uma das estrelas da companhia.

                                                            ***

Os quadrinhos de super-heróis costumam agregar valor quando dialogam com temas reais.

Foi o mesmo caminho, para ficar em um exemplo, que garantiu a reedição das histórias de Arqueiro e Lanterna Verde produzidas na primeira metade da década de 1970.

Na ocasião, o parceiro do Arqueiro, Ricardito, enfrentava dependência de drogas.

É claro que o motivo do lançamento destas nove histórias do Homem de Ferro é menos nobre e mais comercial. Pauta-se nos ecos da popularidade midiática provocada pelo filme.

Que seja esse o pretexto.

Das poucas boas fases do herói, é uma das melhores. Justifica a (re)leitura.

                                                            ***

A editora Panini lançou neste início de mês outra obra com o Homem de Ferro.

É um álbum de luxo com as primeiras histórias do herói, publicadas nos Estados Unidos na primeira metade da década de 1960. Custa R$ 49.

A publicação integra a coleção "Biblioteca Histórica Marvel", que se pauta em relançamentos de histórias clássicas dos super-heróis da Marvel.

Leia mais sobre o álbum aqui.

Escrito por PAULO RAMOS às 19h34
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13.06.08

Novo filme de Hulk prepara terreno para próximos longas da Marvel

 

O novo filme do Incrível Hulk tem uma sabor especial para a platéia brasileira.

As seqüências iniciais do longa-metragem, que estreou nesta sexta-feira nos cinemas, foram produzidas na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro.

É lá que o alter-ego do Hulk, Bruce Banner, tenta se esconder do exército norte americano.

As tropas do Tio Sam o caçam por julgarem que a experiência que o transforma no monstro verde pertencem ao governo dos Estados Unidos.

E é lá também que o Exército invade o morro e faz uma perseguição à la Tropa de Elite.  

Embora um olhar sobre este segundo filme do personagem passe obrigatoriamente pelo Brasil, a leitura da produção ficaria limitada se se restringisse apenas a isso.

Há pelo menos três outros pontos do filme que merecem registro.

O primeiro é o fato de ser bem diferente do primeiro longa, dirigido por Ang Lee. Há menos uso da linguagem dos quadrinhos e muito mais ação.

O resultado é um filme bem mais comercial e despretensioso, feito para agradar grandes platéias. E agrada. É melhor e mais ritmado que a produção anterior. 

 

 

O segundo ponto a ser destacado são as referências.

Há a tradicional ponta do criador do personagem, Stan Lee.

Com mais de 80 anos, ele participou de todas as adaptações recentes dos heróis da editora norte-americana Marvel Comics.

A Marvel publica, além de Hulk, personagens como Homem-Aranha, e X-Men.

Os mais atentos perceberão outras referências.

Lou Ferrigno, o Hulk do seriado de TV dos anos 1970, participa de uma cena. E Bill Bixby (1934-1993), o Bruce Banner da série televisiva, é homenageado logo no início.

É numa cena rápida. O Banner atual -interpretado por Edward Norton- assiste a Bixby no seriado "Meu Marciano Favorito", estrelado pelo ator na década de 1960.

A transformação de Banner no monstro também é inspirada na série. Tensão no rosto, olhos verdes e pronto: no feio Hulk virou (faço aqui outra referência).

 

 

O terceiro aspecto é que o filme de Hulk segue o mesmo caminho do de Homem-de-Ferro, ainda em cartaz. Usa na telona a chamada cronologia Marvel.

Como nos quadrinhos, o que ocorre numa história repercute em outra.

Em "Homem-de-Ferro", uma cena após os créditos mostrava um encontro entre Tony Stark, alter-ego do herói de metal, com Nick Fury, diretor da agência secreta SHIELD.

A pauta da conversa era a criação de um grupo de super-heróis.

Em "Hulk", é o próprio Stark, na pele de Robert Downey Jr., quem aparece para colocar mais um tijolo na construção do grupo, chamado nos quadrinhos de "Os Vingadores".

A equipe conta também com a presença do Capitão América e do Poderoso Thor, que devem ganhar um filme cada um nos próximos anos, pelo que se lê. 

É de se esperar que haja mais capítulos dessa interligação.

Nos quadrinhos, a tal da cronologia cria histórias sem fim, como se fossem novelas mantidas no ar por décadas.

No cinema, há uma vantagem. Dados os altos custos de cada um desses filmes, o leitor -ou melhor, a platéia- deve ver um desfecho para essa costura narrativa nos próximos anos.

Escrito por PAULO RAMOS às 22h36
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09.06.08

Leões de Bagdá mostra outro olhar sobre a Guerra do Iraque

 

 

 

 

 

 

 

Álbum, vendido em bancas e lojas de quadrinhos, mostra bombardeio em Bagdá sob o olhar de quatro leões

 

 

 

 

 

 

 

 

Há diferentes modos de relatar uma mesma história. Depende muito do olhar de quem narra. Cada visão pessoal traz uma carga de subjetividade ricamente distinta.

É exatamente o olhar o que mais singulariza "Os Leões de Bagdá", álbum que começou a ser vendido na virada da semana (Panini, 140 págs., R$ 19,90).

O escritor Brian k. Vaughn ajusta o foco narrativo em quatro leões, que pensam e externam seu pensamento por meio da fala.

Um leitor desavisado pode imaginar que animais falantes aproximem a obra de uma espécie de Rei Leão em formato de quadrinhos.

E que, por isso mesmo, seja um trabalho mais "ingênuo", voltado a um público juvenil.

Não é. E que seja colocado um grifo nesse "não é".

Os animais viviam em um zoológico de Bagdá, no Iraque. Um bombardeio destrói o lugar e dá a eles a liberdade extra-muros. 

O que encontram é uma cidade destruída pela Guerra do Iraque, promovida pelos EUA.

Tal qual crianças, vêem em tudo uma novidade.

E, da novidade, enxergam-se a tragédia e o caos trazidos pelo conflito bélico.

O olhar dos leões revela mateforicamente que tudo é guerra, tudo é violência.

Todos, de uma forma ou de outra, tornam-se vítimas daquele conflito.

Vaughan -autor conhecido por trabalhos adultos da linha norte-americana Vertigo- afirma ter se baseado em uma história real.

Mas é no teor ficcional o ponto alto da história, cruel e cativante ao mesmo tempo, que coube ao desenhista Niko Henrichon dar vida.

"Os Leões de Bagdá" é daquelas obras que espantam o leitor distante dos quadrinhos.

Quando a descobre, substitui o desgastado rótulo -mas ainda presente- de "quadrinhos é coisa de criança" por uma reação de espanto.

Como isso pode ser quadrinhos?

Ele, o leitor, tenta encontrar rótulos socialmente aceitos para classificar o que leu.

"É literatura, não é quadrinhos". Ou: "trata-se de um livro".

Ocorreu esse fenômeno neste ano quando se descobriu que a animação "Persépolis", indicada ao Oscar, era, na verdade, uma biografia em quadrinhos.

"Os Leões de Bagdá" é muito mais do que aparenta.

É outro olhar sobre a guerra, mas metaforicamente cruel.

Faz por merecer cada espanto de leitores desavisados.

Escrito por PAULO RAMOS às 14h37
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08.06.08

Novo álbum de Mortos-Vivos traz sucessão de reviravoltas

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa do terceiro volume da série, que começou a ser vendido neste início de mês

 

 

 

 

 

 

 

 

Há um clima de "tudo será pior" no terceiro volume de "Os Mortos-Vivos", que começou a ser vendido neste início de mês em lojas de quadrinhos (HQM, 144 págs., 29,90).

A situação dos personagens da série norte-americana já não era das melhores.

Eles estão entre os que ainda permanecem sãos num mundo povoado por zumbis.

Mas neste "Os Mortos-Vivos - Segurança Atrás das Grades", uma sucessão de reviravoltas consegue deterior ainda mais a vida do grupo, liderado pelo ex-policial Rick Grimes.

O início deste terceiro álbum até inicia com um sopro de esperança.

O grupo de sobreviventes encontra um centro penitenciária, envolto por grades.

Ali pode estar a segurança contra os mortos-vivos (situação que intitula o álbum).

Mas a esperança inicial é logo substituída por uma cena nova pior que a outra.

E, quando o leitor percebe, já chegou ao fim do álbum. E quer ler logo o outro.

O ritmo da narrativa repete a ação vista no primeiro álbum, lançado no Brasil em 2006.

O mérito da fulidez da leitura -e das reviravoltas- é de Robert Kirkman, o criador da série.

A cada nova seqüência de histórias, ele parece mais seguro do que faz e íntimo do mundo inumano que criou, mostrado em cores preto e cinza.

Um termômetro disso pode ser medido pela aceitação da série.

Ganhou um dos prêmios Eagle, na Inglaterra. E um HQMix, aqui no Brasil. 

"Os Mortos-Vivos" sinalizam um retorno da HQM a um dos carros-chefes da editora, criada há dois anos pelos mantenedores do "HQManiacs", site especializado em quadrinhos.

O termo "retorno" se justifica porque é o segundo lançamento estrangeiro da HQM neste ano. O primeiro foi "Violent Cases", de Neil Gaiman, publicado em fevereiro (resenha aqui).

Todas as demais publicações eram nacionais, filão que a editora passou a investir (aqui).

É louvável o investimento em trabalhos nacionais, política que deveria ser seguida também por outras editoras.

Mas a qualidade de uma série como Mortos-Vivos também merece vaga nas prateleiras, tão carentes de lançamentos de terror.

Escrito por PAULO RAMOS às 16h10
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